quinta-feira, agosto 25, 2005

workshop "desenho criativo" para a infância pela ANAE

esta foi a informação fornecida para o workshop "desenho criativo - romper com os estereótipos" na infância, decorrido nos dias 17 e 18 Foz do Arelho, dirigido a profissionais ligados à animação e à educação, onde foram abordadas novas estratégias e novas técnicas de desenho, de forma a desenvolver de uma forma intencional a criatividade das crianças através do desenho, valorizando este enquanto forma de comunicação visual.

Definição de Desenho
do Lat. Designu s. m., arte de representar os objectos por meio de linhas e sombras; delineamento ou traçado geral de um quadro; plano;projecto; arte de desenhar; acto de desenhar; aquilo que se desenhou. In http://www.priberam.pt/ (dicionário on-line).

Desenhar significa traçar, riscar algo. É o acto em si. Um desenho é tudo aquilo que fica registado num qualquer suporte (ex. papel, cartão, folha metal, parede, vidro, etc.) Escrever é só por si um acto de desenho. As letras são desenhos nossos codificados.
Desenhar bem. Todos nós desenhamos bem a partir do momento que desenhamos. Desenhar é diferente de representar. Muitas vezes dizemos que desenhamos mal e queremos dizer que temos dificuldades em representar algo. É diferente dizer desenhar uma cadeira e dizer, representar uma cadeira através de desenho. Quem desenha uma cadeira é o seu autor. O arquitecto é que desenha casas. Nós limitamo-nos a representá-las.
O desenho é um conjunto de sensações e de ideias. Uma composição e organização perceptiva e afectiva. Um universo infindável e disponível.O nome desenho é antes de mais pensá-lo, construí-lo e criá-lo na prática através da experiência real pelo qual ele se realiza e se contempla.

Definição de Criatividade
s. f., capacidade criadora; aptidão para formular ideias criadoras; originalidade; engenho. In
http://www.priberam.pt/ (dicionário on-line)
“O tema criatividade conta quase 50 anos de investigação, e pouco menos de banalização. Em l950, quando Guilford proferiu na American Psychological Association, de que era presidente, uma conferência sobre Creativity, o neologismo do título e a novidade do conteúdo despertaram de imediato o entusiasmo de muitos investigadores, e não tardou que o tema da criatividade conquistasse o grande público. Ora, o que era verdadeiramente inovador em Guilford é que ele enquadrava o conceito de criatividade numa teoria original sobre a "estrutura do intelecto", falando do "pensamento criador" como uma operação mental comum, acessível a todos os seres humanos e aplicável em todos os domínios. O génio criador perdia assim o seu estatuto de privilégio, o processo criativo a sua aura de mistério, e as artes o exclusivo da criação (…) Na década de 60 a convicção de que todo o ser humano possui um potencial criador "educável" dava origem aos primeiros ensaios da "pedagogia da criatividade. A ideia de que para ser criativo não é preciso nascer génio ou ser fadado para as belas-artes não podia deixar de agradar ao grande público. E uma outra ideia tocaria particularmente muitos educadores: a de que se pode estimular o desenvolvimento da criatividade individual.” In
http://apevt.pt/c1.htm.
Criatividade é o acto de criar algo. O conceito pode ser alargado para a criação de algo novo, inovador. Contudo, a criatividade varia consoante as sociedades, as culturas. Varia consoante a realidade que se conhece. Uma camisola pode ser uma criação inovadora para uma tribo hindu, mas para uma civilização europeia é uma criação banal, ainda que se lhe possam ser atribuídos elementos decorativos (padrão, corte, design) inovadores.

Eisner (1981), define quatro tipos de criatividade: Distender os limites; inventar; romper os limites e Organização estética:
“Distender os limites, será quando um indivíduo consegue ter um comportamento para além do aceitável, estereotipado e restrito, dentro dum campo mental de uma dada cultura (ex: utilização de uma borracha para estampar). É a habilidade de conseguir o possível distendendo a função.

Inventar, será o processo de empregar o conhecido para criar um objecto essencialmente novo ou uma nova classe de objectos (ex: Gutenberg, Bell e Marconi). A descoberta tem de ser seguida por uma actividade ordenada e com uma finalidade.

Romper os limites, será a rejeição ou reverso de ideias aceites (ex: Copernius, na rejeição conceptual da teoria de que a Terra é o centro do Universo). Discernimento das falhas nas teorias contemporâneas e visões do possível, acompanhadas da capacidade de estabelecer uma ordem e estrutura entre as falhas que descobriu e as ideias que gerou.

A Organização estética, é caracterizada pela presença de elevado grau de coerência e harmonia dos objectos, conferindo ordem e unidade às coisas.

Os três primeiros tipos de criatividade são caracterizados pela novidade, enquanto que neste último, esta poderá não existir. Na criança e adolescente, a organização estética é rara, portanto quando aparece alguém que consegue organizar uma forma, dando-lhe coerência e harmonia, este dote particular será considerado como um tipo de criatividade.” In http://www.apevt.pt/c8.htm

Definição de Estereótipo
do Gr. Sterós, sólido + týpos, tipo, s. m., obra estereotipada;impressão por estereotipia; fig., opinião preconcebida, difundida entre os elementos de uma colectividade; lugar-comum;chavão. In
http://www.priberam.pt/ (dicionário on-line)
Entenda-se estereótipo como toda a representação tipo da realidade (sol através de um círculo amarelo rodeado por riscos da mesma cor que visam representar os raios). Um estereótipo é uma representação simbólica facilitada entendida por todos, que por sua vez foge à representação da realidade. A tendência de desenhar estereótipos é causada pela falta de exercício mental da realidade envolvente à qual está associada a necessidade de uma comunicação fácil e imediata.


Definição de Esquema
do Lat. schema < Gr. schêma, figura, s. m., representação gráfica de um facto ou de um objecto nas suas linhas gerais; delineamento da estrutura das partes ou ideias de um texto, de uma obra, de um projecto, etc.; resumo; sinopse; proposta submetida à deliberação de um concílio; ant., designação genérica de todas as figuras, formas ou ornatos de estilo.
Entenda-se esquema como um resumo representativo da realidade. Ou seja, uma forma simples de representar o que é complexo através da minimização das formas. Por vezes a necessidade de desenhar um esquema advém da falta de conhecimento da realidade circundante. Exemplo: um carro, o carro é desenhado através da sua forma, linhas de contorno.
Abandonar os estereótipos e os esquemas
O abandono dos estereótipos e dos esquemas passa, essencialmente, pelo acompanhamento sistemático do desenho realizado pela criança. Ao educador/professor cabe o papel de proporcionar à criança o recurso à visualização mental da realidade, de modo a que a criança consiga transmitir para o papel o seu conhecimento da realidade.
O educador/professor deve possibilitar/alargar os horizontes da criança mostrando-lhe, de uma forma diversificada e sistemática, exemplos reais (casas, árvores, carros, figura humana,…) para que a criança possa efectuar escolhas e comparações.
É muito importante a análise dos desenhos realizados com o grupo de trabalho. Esta análise assenta essencialmente na comparação entre o representado e entre a realidade propriamente dita. Mas cuidado! O objectivo da análise não é estimular a criança a representar o real tal como é, mas sim abandonar os estereótipos e os esquemas representados. A seu tempo, e devidamente acompanhada, a criança começa a estabelecer regras e mecanismos de representação correctos, e só assim poderá estar disponível para o desenvolvimento da criatividade através do desenho e não só…

Motivação e reforço positivo
A criança quando “faz” um desenho está simultaneamente a pensar na aceitação deste. Qualquer tipo de castração, inibição, reforço negativo ao desenho realizado pela criança é o principal motivo para que a criança diga: “Não sei, não consigo desenhar!”.
A motivação e/ou reforço positivo passa, essencialmente, por valorizar sempre o trabalho realizado promovendo simultaneamente o seu melhoramento. Um trabalho, qualquer que seja, pode ser sempre melhorado. Quando se diz a uma criança que o seu trabalho está muito bom podemos estar a estabelecer o limite da sua criatividade. A criança é insatisfeita por natureza. O educador/professor deve promover essa mesma insatisfação de forma a estimular a criatividade na criança. Insatisfação essa que se quer positiva, visando a melhoria, o encontro com as potencialidades/capacidades inerentes à própria criança. Outra forma de reforçar positivamente o desenho da criança é respeitá-lo enquanto produção, valorizá-lo nem que seja através de um simples destaque, de uma moldura, entre outros…
Potencialidades dos materiais
A criança deve ter à sua disponibilidade uma grande diversidade de materiais. Numa fase inicial a criança deve ter contacto com os materiais para poder tomar conhecimento das potencialidades destes. Não confundir utilização dos materiais com técnicas. A diversidade de materiais disponíveis vai possibilitar à criança a escolha. No entanto, o educador/professor deve estar atento à escolha efectuada, essa escolha pode ser um refúgio e não um recurso à criatividade. Exemplo: para representar o céu é muito mais útil usar uma tinta aguada ou um lápis de cera, mas no entanto a criança pode utilizar estes mesmos materiais para não ter trabalho na representação do céu através de outras formas.

O educador/professor deve exemplificar as potencialidades dos materiais e mostrar exemplos de trabalhos realizados. A criança gosta de ver exemplos, são os exemplos que lhe possibilitam a construção da realidade.

Desenhar a partir de modelos (não confundir modelos com exemplos)
O educador/professor deve evitar o recurso a modelos. Deve ainda evitar que estes estejam colocados na sala de aula. A criança tem tendência a procurar modelos em detrimento do recurso à imaginação. A visualização de modelos influência a representação da criança. Limita-lhe a criatividade.
Contudo, os modelos podem ser utilizados como recurso, se e só se, o seu recurso for devidamente acompanhado e diversificado. Se à criança forem explicadas as razões (técnicas, estilos, contexto, objectivos) de determinado modelo, ela vai querer também recorrer à estratégia utilizada pelo autor do modelo. Vai querer também ela ser criativa. É importante explicar à criança que o autor também já foi criança e que teve todo um percurso até conseguir os resultados apresentados para que a criança entenda que a criatividade está dentro de nós e que só tem de ser desenvolvida.

Alguns exemplos de actividades para desenvolver a criatividade através do desenho:
Ex.1 – A partir da cópia do excerto/pormenor de uma pintura/desenho, a criança cria um possível desenvolvimento da obra;
Ex.2 – a partir da audição de uma música a criança faz o registo do sentimento provocado pela música;
Ex.3 – A partir de um texto a criança cria uma ilustração para o mesmo;
Ex.4 – realizar desenhos com partes do corpo (mãos, pés) através do recurso a tintas aguadas em suportes de grandes dimensões;
Ex.5 – a partir de um objecto (colado na folha) representar uma composição com sentido e outra sem sentido;
Ex.6 – propor a invenção de um objecto, de uma figura, etc.;
Ex 7 – propor alterações a um qualquer desenho, objecto;
Ex.8 – imaginar um sentimento e representá-lo através de pontos, linhas (curvas e rectas);
Ex.9 – desenho de grupo através da troca de folhas a cada minuto;
Ex. 10 – realizar uma composição (tema) com mais do que 3 lápis ao mesmo tempo.
Obs. O recurso a música de fundo aquando da realização de uma qualquer actividade de exploração plástica possibilita um maior apelo aos sentidos e, por sua vez, à criatividade.

Fontes recomendadas
Bibliográficas:

BARRETT, M, Educação em Arte. Lisboa: Editorial Presença/ Martins Fontes, 1979.
BOHM, D.; PEAT, F. D., Ciência, ordem e criatividade. Lisboa, Gradiva, 1989
CAMPBELL, Ensino e Aprendizagem Por Meio das Inteligência Múltiplas, 2º Edição, Prata de Oliveira, 2000
DALILA D'Alte Rodrigues, A Infância da Arte, A Arte da Infância, Edições ASA, …
EISNER, E. & ECKER, D. Avaliação em Arte, Educating Artistic Vision. Londres: Macmillam, 1981
GARDNER, H., Mentes que criam: Uma anatomia da criatividade observada através das vidas de Freud, Einstein, Picasso, Stravinsky, Eliot, Graham e Gandhi. Porto Alegre, Artes Médicas, 1996.
GREIG, Criança e Seu Desenho, 1º Edição, Prata de Oliveira, 2004
LOWENFELD, V. & BRITAIN, L, Desenvolvimento da capacidade criadora, São Paulo: Mestre Jou, 1977
MASSIRONI, Manfredo, Ver pelo Desenho, edições setenta, 1996
Internet:
http://www.apevt.pt/recursos.htm (associação professores evt)
http://afmpsi.planetaclix.pt/deccmybook0304.pdf (psicologia da criatividade)
http://www.hitentertainment.com/artattack/ (artattack)
http://www.po.web.pt/index.html?target=dept_10.html&lang=pt (livraria Prata de Oliveira)

1 Comments:

At quinta-feira, 25 agosto, 2005, Anonymous mafalda said...

bem adorei este fotoblog, andava mesmo á procura de bibliografia sobre criatividade para a minha tese de final de curso.

Obrigado pela existencia deste blog..

 

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